Quando Jesse Rutherford era jovem – antes de começar com a música e eventualmente alcançar o Nº. 1 do rock-alternativo com a sua banda, The Neighbourhood – o agora tatuado, nativo de Ventura County, passou alguns anos trabalhando como um sorridente ator infantil.

Uma de suas maiores audições?

“Uma pequena série chamada ‘Hannah Montana’”, ele lembrou com uma risada.

Rutherford, agora com 26 anos, não conseguiu o papel na série do Disney Channel, mas isso provavelmente foi para o melhor, ele reflete: Sucesso cedo em um trabalho como esse carrega o perigo de restringir o artista – “a não ser que você seja o Drake”, ele falou, referindo-se ao rapper canadense que começou na série “Degrassi: A Próxima Geração”.

“Mas esse tipo de transformação é muito improvável, cara”.

Rutherford aproximou-se de tal mudança mais do que ele poderia pensar. Depois de atingir platina duplo com as vendas de “Sweater Weather” (com pegadas de guitarra no estilo da rádio KROQ-FM), ele lançou seu álbum de estreia como artista solo, “&”, no qual ele se afasta do rock temperamental da The Neighbourhood e vai para o rap em um fluxo de canções com batidas do trap e do R&B.

“O mundo alternativo tem ficado tão chato”, ele disse enquanto tomava uma taça de vinho rosé em um cantinho italiano perto de sua casa em Hollywood. “Eu não olho para mim mesmo” – e aqui ele fez o símbolo de aspas com os dedos – como “o cantor daquela banda de rock The Neighbourhood”.

No entanto isso não significa que ele deixou a The Neighbourhood para trás. No dia 12 de janeiro o grupo lança um novo EP, e estão agendados para tocar quinta-feira à noite no El Rey Theatre (14/12).

Ao invés, Rutherford reinventou a banda para desenvolver um som que você pode ouvir no material solo dele; “Scary Love”, o último single da The Neighbourhood, é uma vibrante canção pop que tem mais em comum com The Weeknd do que com os campeões reinantes do rock alternativo, Imagine Dragons.

Em setembro, o cantor trouxe o grupo para o festival Day N Night em Anaheim, onde a The Neighbourhood se destoava (pelo menos na aparência) no cartaz que contém Chance the Rapper, Post Malone e Lil Uzi Vert.

“Nós estávamos tipo, ‘será que alguém vai aparecer para ver o nosso set?’”. Rutherford admitiu. “Eu até twittei sobre isso: ‘Ei galera, eu sei que o Lil Pump vai tocar no mesmo horário que a gente, então eu entendo se vocês não aparecerem. Divirtam-se.”

Mas os fãs apareceram – apesar de não nos números do show Lil Pump, que jogou, o que ele disse que foi, 10 mil dólares para a plateia.

Parte do que aliviou a entrada de Rutherford no hip-hop – e o que torna seu timing engraçado – é a crescente inclusão da iconografia do rock por rappers, como Post Malone e Lil Uzi Vert.

Apesar de Rutherford estar fugindo do estilo do rock, alguns dos talentos mais jovens e brilhantes do hip-hop estão correndo em direção ao estilo, o que significa que eles estão se encontrando em um meio termo entre os dois gêneros.

Outro artista no mesmo meio termo era o Lil Peep, que morreu no mês passado de uma overdose de drogas com 21 anos, logo após rapidamente fazer seu nome com canções que mesclavam o emo com o hip-hop.

Rutherford disse que admirava o Lil Peep. Mas é fácil imaginar se o Lil Peep poderia também estar ligado no que o Rutherford estava fazendo em músicas como “Daddy Issues”, um grande corte do álbum “Wiped Out!” de 2015, da The Neighbourhood, que pode ser considerada uma previsão do tipo de música que está por vir.

Perguntado se ele se orgulha disso, Rutherford encolheu os ombros.

“Estar cedo não importa – ninguém se importa se você estiver antes de uma tendência”, disse ele. “Você precisa estar na hora certa”.

Com isso em mente, ele está trabalhando duro para aproveitar um momento bem adequado à sua sensibilidade. Além de fazer shows solo e com a The Neighbourhood, Rutherford disse que está escrevendo nos bastidores com produtores pop, incluindo Benny Blanco, conhecido por suas colaborações com Justin Bieber e Halsey.

Talvez essas músicas acabem em um álbum do Jesse Rutherford ou em álbum da The Neighbourhood; talvez elas terminem em um álbum de outro artista que procure pegar emprestado o estilo de Rutherford. Ele está de boa com qualquer uma das opções.

“Eu não me importo com o que a música atinge”, disse ele – desde que atinja. “A banda é um projeto que eu faço, e o meu material solo também é”.

“Eu mudo muito de ideia, sabe? É difícil ser apenas um personagem”.

 

Entrevista concedida ao Los Angeles Time – Mikael Wood em 13 de Dezembro, 2017.

Tradução PT/BR: Arthur.